segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Aqueles carnavais que não voltam jamais...40

Era um tempo onde reinava a alegria, diversão e um pouco de inocência juvenil... nos idos anos 50.

Pessoas com fantasia nas ruas.
As crianças se reuniam em bando para jogar lança-perfume nas pernas das mulheres que se assustavam ao sentir algo gelado subir pelas pernas ou então jogada nas costas desnudas das mocinhas que ao sentir o impacto gelado no corpo quente se encolhiam soltando gritos frenéticos e saiam correndo na direção de quem estava jogando.

Mas para quem não tinha muita grana, a saída era usar o “sangue de diabo”.
Uma receita bastante utilizada pela gurizada eram as bisnagas com sangue de diabo:
“Em um balde d’água com de 5/10 litros se colocava uma folha inteira de papel de seda vermelha (usada para fazer pipas). No balde era adicionado 5 comprimidos do laxante Lacto-Purga, seguido de um vidro de 5 ml de éter e algumas gotas de qualquer perfurme”. Parecido com as bruxas usavam um pedaço de pau para fazer a mistura e apurar aquele caldo. A meninada enchiam suas bisnagas e corriam para os semáforos a espera do farol fechar... carros e ônibus c/janelas abertas eram os alvos preferidos.
Aquilo pegava no olho e ardia pra caramba e se caísse em roupa branca ferrava tudo.
Meus pais, tios e tias se reuniam para pular o carnaval durante 4 dias no Acre Clube no Tucuruvi.
Todos iam fantasiados a cada ano com um tema novo. E levavam um arsenal  de lança perfumes, sacos de confetes e serpentina. E nas bolsas das mulheres, devidamente escondido garrafas de whisky que eram misturadas com guaraná.
Meus pais e tios se divertiam bastante e os comentários se estendiam por vários finais de semana.


No domingo e na terça era nossa vez, a criançada.
Meus primos e eu também nos fantasiávamos meio a contra gosto.
Durante vários carnavais meus pais me levaram as matines dos carnavais.
Aquilo se tornara um balsamo para mim.
A partir dos oito ou nove anos aguardava ansiosamente a chegada do carnaval por duas razões: Poder usar as bisnagas com sangue de diabo e a outra era para pular o carnaval.
A segunda era a mais esperada: depois da experiência inicial de ter dançado/pulado o primeiro carnaval com uma loirinha de olhos azuis de nome Sibele com fantasia de tirolesa, aguardava ansioso u novo carnaval para reencontrá-la.
Sem nenhum compromisso ou qualquer combinação, nos encontramos durante cinco carnavais. Mesmo sendo do mesmo clube, só nos encontrávamos o nos carnavais. Um ficava esperando a chegada do outro.
Pulávamos e brincávamos de mãos dadas durante o baile todo.

Sentíamos mais do que falávamos.
Risadas, olhares e mãos coladas uma na outra o tempo todo.
Ao final de cada dia, nos despedíamos com um beijo no rosto mas com sensação de uma longa história de amor...
 Ano a ano os encontros se repetiam com sentimentos e emoções revitalizadas.

Acabei mudando de bairro da zona norte para zona sul e como conseqüência não fomos mais ao clube.
Acabei perdendo o contato com ela, mas as lembranças boas ficaram gravadas.

Felizmente meus avós moravam no mesmo bairro.

Numas das visitas dominicais aos meus avós, fui dar um rolê pelo bairro e acabei passando pela rua da feira do bairro que ficava na rua casa forte.
Com meu primo ao lado percorremos a rua da feira sem qualquer objetivo.

Para evitar o tumulto e trança-trança dos carrinhos de feira optamos em seguir pela a calçada. A rua era larga.
Andando por detrás das barracas podíamos apreciar melhor as casas e a vizinhança.
Logo a frente havia um grupo de meninas, que de longe pareciam simpáticas.
Ao se aproximar das garotas tive uma sensação desconhecida e estranha como se algo fosse acontecer.
Meus olhos curiosos procuravam não sábio o que, mas vasculhava detalhes ou alguma de interesse.
De repente meu radar interno detectava uma figura familiar, ao avistar um par de olhos azuis...
Comecei a perceber em meu corpo sinais de comichões, coceiras e tremedeiras nas pernas.
Do outro lado, também acusava reconhecimento de alguma particularidade.
O grupo em volta da menina demonstrava que alguma coisa fora do normal acontecia.
Ao meu lado, meu primo percebeu nossa troca de olhares...

Tentando dominar sentimentos e sensações físicas fui ao seu encontro.
Trocamos um beijo no rosto e por algum tempo ficamos estáticos em frente a sua casa.
Sua mãe regava o jardim e percebeu nossa aproximação e constrangimento, mas acabou por me reconhecer abrindo um sorriso.
Tudo aquilo me deixou travado
Conversamos por alguns momentos ainda constrangidos, acabei anotando o numero de sua casa para trocarmos correspondência.

Aquele reencontro deve ter permanecido por algum tempo na cabeça dos dois...

Talvez pela distância e a falta de maior contato nos esquecemos um do outro...

Passados mais de 20 anos, era sócio de uma empresa com sede na avenida nova Cantareira, reencontro aquela loirinha, agora mulher feita e bonita.
Como era de se esperar uma nuvem de energia adormecida, de repente é despertada.  

Fomos tomar um café para colocarmos a conversa em dia.
Havia se formado em psicologia. Tinha uma filha de oito anos e estava separada.
Cada um falou um pouco de suas vidas e também relembrando parte de nossos passados comuns.
Conversamos e rimos um bocado.

Ao final nos despedimos com um beijo no rosto, talvez nosso último encontro...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Convivendo com a GVive - 39


Como ex-aluno existia dentro de mim uma necessidade, uma vontade, um desejo em reencontrar velhos camaradas.
Difícil encontrá-los? Não, era até bem fácil, pois a convivência diária após 4 anos em período integral reforçava os laços e a lembrança na ponta da língua do nome dos 120 colegas da turma de 1963 do Vocacional Oswaldo Aranha (Brooklin).


Buscando em listas telefônicas e pela internet, em pouco tempo era possível remontar as listas que a Secretaria da Educação não permita acesso.  

Meses de buscas me levaram ao Pátio, um local onde inúmeras turmas se comunicavam há anos.

Fui ao bar memorial pela primeira vez justamente no dia da fundação no dia 06 de agosto de 2005.
Fui convidado pela diretora que estava implantada para irmos ao Seminário da UNISAL em outubro de 2005 em Americana. Na volta participamos da vernisage do lançamento Livro Ensino Vocacional uma Pedagogia Atual.

Acabei me interessando por fazer parte do grupo de memória para colaborar no resgate documental e oral.
Fazendo parte deste grupo fui entendendo lado oculto dos bastidores sobre a extinção dos vocacionais. Com o grupo de memória acabamos visitando todas as unidades e fazendo novos amigos.

A GVive aconteceu no momento certo em que havia uma maturidade no ar própria ao seu surgimento.
Na sua quase totalidade, ex-alunos e professores mantiveram viva uma saudade imensa, e uma adoração ao vocacional. Como ex alunos, uma gratidão enorme pelos nossos professores.
Desde então alunos e professores, juntos trabalham em parceira para recuperação documental e um desdobramento para atualidade. 
Participar do grupo de memória tem sido um prazer enorme.
Acabei sendo convidado para ser vice-presidente na chapa de 2006/2008 com objetivo de trazer as outras unidades para junto da GVive.

Após muito esforço conseguimos unir todas as unidades e seus representantes em um encontro em fevereiro de 2009.    
Entrei na vida da associação no dia de seu nascimento e nunca mais consegui ir embora.
Existe uma divida de gratidão que recebemos por participar da experiência dos ginásios vocacionais que ainda está por ser paga. Com alegria e satisfação a conta vem sendo amortizada ainda em 2012.         

Luiz Carlos Marques – Luigy – turma de 1963 O.A.

A GVive, criação, atuação e missão. -38

A GVive, criação, atuação e missão.
De volta aos bancos escolares...


Os anos 50 clamavam por uma reforma e mudanças na educação.           

Em 1959 surge o “Manifesto dos Educadores” ao mesmo tempo do surgimento de  diversas experiências no Estado e no Pais.
Luciano de Carvalho, Secretário de Educação do Governo de Carvalho Pinto, em São Paulo, volta de viagem a Europa em busca de modelos que poderiam servir para implantá-los em sua administração.
Ao chegar soube da existência de uma experiência no Instituto Narciso Pieroni, eram as Classes Experimentais de Socorro sobre a direção de Lygia Furquim Sin que comandava uma excelente equipe de professores como Maria Nilde Mascellani, Olga Thereza Bechara, Odila Feres, Modesto Vasques e Itajahy Martins Feitosa.
Com o sucesso dessa experiência, o secretário procurou a educadora Maria Nilde colocando em suas mãos um desafio, criar um modelo que pudesse ser implantado para toda a rede pública do Estado.
Para que isso pudesse acontecer, foi criado o Decreto Estadual no. 38,643 de 27/06/1961. Com a aprovação da lei uma comissão foi criada para a criação dos Ginásios Vocacionais sob a coordenação do Serviço de Ensino Vocacional em 1961.
A expansão se deu em 1962 com a criação de três unidades, mais duas em 1963 e outra em 1968.
Em 1965, havia uma fila de mais de 150 municípios aguardando a instalação de uma unidade vocacional.
Alunos da ECA/USP fizeram em 1968 um documentário Ensino Vocacional sob a direção de Maurice Capoville e Rudá de Andrade retratando o cotidiano da escola.

O vocacional tinha uma filosofia própria e utilizava inúmeras práticas pedagógicas até hoje consideradas modernas.
A experiência inovadora bateu de frente com o regime militar e foi extinto em 12 de dezembro de 1969. Desde então tem sido copiado em parte, mas sem sucesso.
Mais de 8.000 alunos passaram pelas seis unidades vocacionais. Pelo curso de treinamento passaram mais de 800 professores.
Com o fim do período da ditadura, os participantes da experiência vocacional buscaram o reencontro.
Em 1984 Maria Nilde trouxe um texto sobre a fundação memorial vocacional.
E no ano seguinte, aconteceu um encontro de ex-alunos e professores no Colégio Equipe. Sementes foram plantadas.
Encontros de turmas e unidades aconteceram em diversos momentos
Mas a idéia da fundação não prosperava.
Nos anos 90 Maria Nilde reuniu ex-alunos ligados a área de comunicação com objetivo de produzir um filme que falasse sobre a experiência vocacional. A idéia não vingou.
Convidada Maria Nilde cria o Projeto Integrar adaptando a experiência pedagógica  do vocacional para a pedagogia dos trabalhadores em 1994.
      
Em 2002, sob a coordenação da profa Esmeria Rovai e Cida Schoenacker e outros professores for organizado um evento comemorativo de 40 anos de criação dos vocacionais na Assembléia Legislativa de São Paulo. O evento serviu para reunir professores e alunos que andavam dispersos.
Neste ano foram lançados dois livros que tinham por tema os vocacionais. Um deles Revolucionou e Acabou? Tese do ex-aluno Ary Meirelles Jacobucci – da unidade de Americana. Um outro livro escrito por um pai de aluno de Batatais retratava  a experiência do fechamento da unidade vocacional Candido Portinari com o titulo de Martinho o Velho e o Tempo Novo.
Três fatos marcaram o ano de 2005 além da criação da GVive:                                                                      
1 - Encontros mensais de ex-alunos vinham acorrendo desde março desse ano
    Com a vinda do Canadá de um aluno muito estimado pelos colegas do Vocacional Oswaldo Aranha acabou por arregimentar dezenas de outros colegas via internet, proporcionando um grande encontro de ex-alunos e professores.
    O encontro foi um sucesso com a presença de mais de 250 participantes.
    A quantidade de pessoas presentes e a energia desencadeada acabou alertando a todos sobre a possibilidade de se criar alguma coisa usando essa energia  mobilizadora. Um novo encontro em julho, criaram-se diversas equipes para a formação de uma associação com objetivo de resgate da memória documental e afetiva do vocacional. 
    Após intensa preparação, um grupo superior a 200 pessoas da capital e de fora se reuniram no dia 2 de agosto para criar a GVive – Associação de ex-alunos, amigos e professores dos Ginásios Vocacionais com estatuto, objetivos e uma ata com 152 sócios fundadores. No mesmo ano obteve seu CNPJ. A associação caminha para a sua 5ª gestão.
2 - Em 25 outubro a GVive fez a sua primeira aparição participando do Seminário da UNISAL em Americana.
3 - No mesmo dia participou do lançamento do livro Ensino Vocacional Uma
pedagogia Atual organizado pela profa. Esmeria Rovai 

A associação vem participando de diversas manifestações e debates em prol da melhoria da educação pública e de qualidade. Também vem produzindo eventos ligados a essa área.

Hoje conta com mais de 620 associados.
Participa de diversos projetos educacionais com algumas instituições como CMFEUSP, CEDIC/PUC, FOEI/UNIP, UNISA, E. M. Des. Amorim Lima.

Foi parceira ativa nos documentários: Sete Vidas eu Tivesse, Ginásio Vocacional 40 anos depois, Vocacional, uma aventura humana e Ensino Vocacional em 9 min.
E também no lançamento do Livro da Tese de Maria Nilde Mascellani junto ao IEEP, Centro de Memória da FEUSP.

Tem alguns projetos em construção como:
- Kit Vocacional – pacote de livros, DVDs, livretos a ser doado para faculdade de educação e pedagogia do país e também para as bibliotecas de maior representatividade para servir de apoio e pesquisa.
- Preparação de curso sobre a filosofia e as técnicas utilizadas no SEV  a pessoas interessadas em aplicação.

Há muito trabalho a ser feito ainda.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ao 60 anos se forma como Advogado - Parte I - 37

Parte I  

Anos 30 - Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Filho mais velho de sete irmãos.
Jovem foi trabalhar de madrugada no Saladeiro (frigorífico) fazendo charque (desossava carne bovina) e ao final do dia poder levar pra casa os miúdos que eram descartados. E nas horas vagas trabalhava como tintureiro para aumentar sua renda para poder levar mais comida pra casa.                         Seu nome: Sebastião Marques

Seu pai, outrora um homem bem sucedido, sofrera um grande revés profissional nos anos 30, relacionados ao “crack” da bolsa de Nova York.

Tinha enorme gosto pelos estudos, mas por ser arrimo de família teve que optar somente pelo trabalho.

Além do esforço duro na madrugada dentro das geladeiras no frigorífico seguido  pela jornada na tinturaria, ele adorava jogar bola nos finais de semana.

Jogava em diversos times importantes da capital Sul Matogrossense.
Aos sábados vestia a camisa do Ipiranga e no domingo jogava pelo Comercial em categorias diferentes. Além de atuar nos times, ele também apitava jogos.

Depois do gosto pela leitura, o futebol era sua maior paixão.
Sofria calado ter abandonado os estudos ao final do 4º. ano no Colégio Dom Bosco.

Era querido dos padres, por sua dedicação aos estudos e seu interesse por filosofia.
Filho de macedônio, seu pai lhe contava as façanhas de Alexandre, o Grande – Conquistador do Mundo e filho da Macedônia.
Daí vinha sua curiosidade em querer saber cada vez mais sobre história e filosofia.

Trabalhava por necessidade por ser único que sustentava a família de dez pessoas (Os pais, ele e os 7 irmãos)
Sua carga de trabalho chegava a 16 horas diárias.
Mas ele tirava tudo de letra.
Jamais reclamava a esse respeito.
Entre algumas horas vagas ele ainda fazia empreitada de pintura de casas e prédios. Profissão que aprendera com um mestre dessa área, seu Demetrio (Búlgaro) 
Era no futebol que ele transmutava seu sacrifício em prazer.
Mesmo machucado se apresentava para jogar.
Apesar da estatura mediana (em torno de 1.60), era um centro avante goleador.
Seu time pouco perdia.
Se não ganhava na bola, acabava ganhando nas brigas em campo.

Essa também era uma das suas marcas, brigador.
Estava sempre na sua. Mas seu bom desempenho em campo atraia rivalidade e as vezes alguma inveja.
Não arrumava briga, mas não fugia de uma.
Se fosse afrontado partia pra luta e tinha uma pegada de direita arrasadora.
Enfrentava bruta montes levando quase sempre a melhor pela sua agilidade.

Motivado por brigas, depois de casado, acabou se transferindo para o Paraná para jogar no Londrina Futebol Clube como profissional, cidade onde nasceu seu único filho.
Além do futebol trabalhava nas Lojas Fuganti.



Em Londrina voltou a tocar serviços de pintura de prédios contratando pessoas para fazer o serviço.
Como isso não bastasse se interessou por fotografia e aprendeu a revelar suas fotos em casa.
Nesse meio de tempo fez amizade com uma médica recém formada que cuidava do tratamento de sua esposa que contraíra laschemoniose.

A cura da enfermidade estreitou a amizade da médica com o casal.
Após quase sete anos de casamento, ainda não tinha filhos.
A médica seu interessou pelo caso e deu inicio ao tratamento para fertilização pois a esposa tinha “útero infantil” e era preciso fazer diversos procedimentos  para desenvolve-lo.

Após certo período houve fecundação, mas logo em seguida foi perdida.
Como casal pretendia muito um herdeiro, fizeram nova tentativa para fecundação.
Ao completar 9 anos de casados nasceu o primeiro e único filho.
Para pagamento do tratamento, a jovem médica pedira para ser madrinha de batismo da criança.
Depois de completar um ano a criança contraiu um tipo de gripe que se transformou em Bronquite Asmática. Diversas tentativas de tratamento foram feitas, porém sem acusar resultado.
Ao saber de um médico em São Paulo, que fazia uso de novas vacinas com excelentes resultados, o casal acabou vendendo duas casas de suas propriedades para fazer o tratamento.

Após o resultado positivo na cura, optaram por ficar em São Paulo onde as chances de trabalho eram maiores no inicio da década de 50.

A cidade de São Paulo passava por grandes transformações e enorme crescimento. Havendo necessidade enorme de empresas no ramo de pintura de prédio.
Quanto mais serviços ele fazia, mas serviços apareciam. Sua empresa cresceu tanto que acabou abrindo um escritório para melhor atendimento na rua Xavier de Toledo colado ao Mappin. Quase se tornando um executivo. 
continua

Aos 60 anos se forma Advogado - parte II 36

Parte II


Recém criada depois do término da 2a. Guerra Mundial, a Base Aérea de Cumbica estava em expansão pela crescente demanda da aviação.
Concluida a reforma da base, foi aberta concorrência para a pintura dos hangares e prédios administrativos. Acabou participando da mesma e acabou ganhando a empreitada. Isso acabou por trazer maior visibilidade e impulso nos negócios.
(base aerea de cumbica foto de net)



Anos mais tarde se aventurou no ramo de pneus e mecanica de carros. Depois de algum tempo exibia uma pequena rede de filiais: nas avenidas Sto Amaro, av. João Dias,av.Interlagos e av Nossa Senhora do Sabará.
Mesmo com toda suas atividades jamais perdeu o hábito de tirar uma pestana ou siesta depois do almoço.
Morou muitos anos na Avenida Santo Amaro fazendo ali muita amizades, mas teve que se mudar após sucessivas enchentes sempre no carnaval. Depois da setima enchente e ter passado pelos quatro pontos cardeais da cidade, mudou-se para Santo Amaro onde comprou uma casa e se fixou em Interlagos.


Sua saída da avenida Santo Amaro foi motivado por inumeras enchentes pontuais em cada carnaval. A cada fevereiro diversas familias perdiam seus bens a cada enchente.


Mesmo se dedicando aos seus afazeres profissionais sempre arrumava tempo para fazer politica em prol do bairro onde morava. Graças a esse trabalho voluntário acabou sendo convidado a presidir várias Sociedades de Amigos de Bairros como Capela do Socorro, Jardim Primavera e Jardim Rio Bonito.por algumas gestões.  
Buscava sempre benificiamentos para o bairro como asfaltamento de ruas, postos de saude para o bairro, linhas de onibus, escolas e creches.
Tudo isso como trabalho voluntário.
Porém o cargo que mais lhe trouxe orgulho, foi ter sido eleito Conselheiro do SCCP por duas gestões e acabou ganhando titulo de socio Mosqueteiro e Vitalício.
Não se preocupava em trazer beneficios para si.
Outra grande alegria foi quando o nome de seu pai Chirsto Naum Marques foi dado a uma rua no bairro. 
   
Gostava de criar suas próprias saidas e mecanismos de defesa.
Quando algum "tipo de problema sem solução" insistia em se persistir, em sua siesta diária usava a imaginação reproduzindo algum jogo do Corinthians em que dava de goleada no "Parmeira".
Isso trazia uma alivio imediato e calma para os enfrentamentos da vida.  


Passado algum tempo depois do contato com pais de alunos da SAGVOA - Associação de pais e amigos dos Ginásios Vocacional (Brooklin), sentiu-se incentivado a retonar aos estudos. O velho sonho estava de volta.
Dez anos após esse contato, ja ostentava o diploma do colegial via curso supletivo.


Em 1976 passou no vestibular de Direito das Faculdades Franciscanas.
Ao final de 4 anos de estudos e estágios se graduou como Bacharel em Direito junto com seu filho.
Para finalizar o curso, havia uma parte integrante a realização de um grande juri simulado com todos os detalhes de um juri verdadeiro. Ele se candidatou para atuar como advogado de defesa do réu. Não acabou por absorver o acusado, como conseguiu a anulação do processo. Após uma atuação brilhante, foi aplaudido de pé por todo auditório em numero de 200 ouvintes. 

Durante esse processo de formação jurídica, foi convidado para ser adminsitrador de um hospital particular de doentes mentais, alcoolatras e drogados. Acabou chefiando um quadro de mais de 100 pessoas entre funcionários, enfermeiros, técnicos e médicos e 400 pacientes.
Morava anexo ao hospital para poder estar presente, em casos de necessidades, durante 24 horas. .       
Entre 1977 e 1978 ganhou um casl de netos, Dulce e Cristian, que lhe trouxeram grande alegria de vida.
Sua dedicação ao trabalho ultrapassava sua rotina. Estava sempre atento e a disposição para solucionar problemas do cotidiano e ultra muros.
Problemas de pacientes, funcionarios e medicos eram todos de sua alçada. Para todos eles sempre havia uma solução pacífica.   


   
Ao fazer parte do hospital, ele adotou uma politica humanitaria e humanistica ao tratar cada um como um ser humano único e não como um número.
Recebeu o hospital onde era servido apenas 3 refeições bem controladas ao dia. Pouco tempo depois introduziu mais duas, totalizando para 5 ao longo do dia, com direito a repetição.
Pacientes até então bem magros e esqueléticos, vinham a até ele para mostrar que estavam vem nutridos e contentes com o que estavam consumindo. Tudo isso foi conseguido ao mesmo tempo em que diminuiram as despesas e aumento de lucro da instituição.
Sua maneira especial ao tratar cada um de modo particular cativava a todos. Mantinha em sua memória um dossie de cada paciente e tambem dos funcionários. Rapidamente ele trazia a mente particularidade de cada um conforme a necessidade que se apresentava.        Isso era motivo de admiração das pessoas.


Quanto mais se aprofundava nos estudos mais era sua vontade de colocar em prática seus estudos juridicos.


Esteve por 15 anos a frente do Hospital João Evangelista como administrador com dedicação integral.
Se aposentou aos 70 anos  retornando a sua moradia em Interlagos.


Sentindo-se útil ainda, retornou para trabalhar desta vez como assessor administrativo, indo e vindo ao hospital todos os dias num percuros de mais de 90 kms. Desta vez como trabalho voluntário.
Trabalhou até 1987 ao completar 75 anos. Só parou motivado por um acidente de transito por causa de problemas na vista. 
Em 1990 foi operado no quadril por problema que lhe acompanhava desde os tempos de jogador de futebol por jogar além da conta e sem descanso.
Apesar do risco da idade, a operação foi tranquila, porem o resultado prático ficou aquém do esperado. Sumiram as dores, mas ficou a restrição de seu caminhar para grandes distancias.
Nesse mesmo ano,  ganhou mais uma netinha, Marta. Essa novidade acabou trazendo uma nova alegria de vida. Pois ambos eram bastante ligados.
Pode acompanhar o crescimento de sua netinho por vários anos.


Um problema sério de esofagite na noite de 29 de setembro de 2000, levou-o embora.


Seu velório foi no cemitério de Santo Amaro.
Mesmo sendo sampaulino, seu irmão mais novo, Nilton, cobriu seu corpo com a bandeira do SCCP- Timão antes de fechar o caixão.     


O carro funebre, saiu de Santo Amaro, na Zona Sul atravessando a cidade em direção ao Cemitério Do Jardim Tremembé na Zona Norte. O cortejo percorreu mais de 45 kms no transito paulista em dia de semana. 


Um dos momentos mais significativos do trajeto se deu ao passar em frente ao Hospital João Evangelista na Avenida Nova Cantareira. No momento que o cortejo passou em frente da Instituição, funcionários sairam a rua para dar o seu adeus. E nas janelas dezenas de pacientes lalançavam lenços brancos numa despedida final.

Ficou uma forte lembrança que é sermpre relembrada cada vez que o Timão faz um gol, parece que continuamos a ouvir seu grito Gooooooooooooooooooollllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll


Deixou apenas um filho (único)  .  

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Primeiro Emprego -35

A grana andava meio curta.
Por volta dos 14 anos, parece que a coisa andava pesada em casa.

Sutilmente me foi sugerido que arranjasse um emprego.
(imagem da net)
A maior porta de entrada dos meninos para o mercado trabalho nos anos 60, era iniciar como office-boy.
Não fiz muita força, mas alguém em minha casa fez essa força por mim.
Minha mãe me deu um endereço no centro da cidade para visitar meu tio que tinha um escritório à Rua Jose Bonifacio (centro).
Munido de força alguma força, fui até lá pra ver no que ia dar.

Sai cedo. Chegando ao local fui recebido pelo meu tio (irmão de minha mãe).
Explicou como era o serviço e quais seriam as minhas funções.
Era um escritório de contabilidade com vários clientes.
Foi explicado que na parte interna, o serviço seria colar faturas de duplicatas banhadas em gelatina nos livros contábeis de cada firma. E na parte externa deveria ir a bancos pagar contas, levar documentos nas empresas que eram clientes, cartórios e coisas do tipo.
Aceitei na hora e já me pus a trabalhar.


(fotos da net)
Aprendi rápido o serviço colar faturas no livro caixa: cópias carbonadas de duplicatas e pagamentos eram colocadas em ordem no diário coberto com um pano branco.
Na hora do almoço, todos saiam, mas eu ficava para dar cobertura no atendimento telefônico.
Quando todos chegavam, era minha hora de almoço, trazido de casa.
Ao abri-la vinha aquele cheiro de ovo frito na cara.

Na semana seguinte, deixei de levar a “dita”
Depois de fazer a minha hora do almoço, saia para cobrir os bancos, cartórios e fazer alguns recebimentos.
Assim que terminava tudo, poderia ir direto pra casa, trazendo no dia seguinte os comprovantes dos serviços agendados.

Esse serviço de rua acaba levando a descobertas e troca de informações entre os boys, de coisas que muita gente desconhece.

Toda vez que eu saia às ruas, ficava namorando as roupas da PRIBA, uma loja de roupas masculinas que se mantém ativas até hoje.
Ficava um tempão admirando camisas, calças, cintos e outras coisas.

Era moda na época, ter uma calça LEE (que era importada). O preço ficava próximo de 18,00. (o preço da calça era em dolares) 

Muita gente desejava comprá-la, mas eram raríssimos os locais onde vendiam essa calça. Entre alguns eram a Priba e a Galeria Pagé.

O salário mínimo naquele momento era de CR$ 42,00. E eu iria ganhar CR$ 21,00 por mês

A paixão pela calça despertava a imaginação de muita gente.
Chegou a sair nos jornais da época de que pessoas desavisadas a procura de obter vantagem, terem ido a uma lojinha da galeria do rock em busca da calça Lee.
As pessoas eram paradas nas ruas se estariam interessadas em comprar a tal calça com bom abatimento.
Claro que as pessoas se interessavam.
Diziam que estavam vendendo 6 calças Lee pelo preço de duas, perto de CR$ 30,00 
Era combinado o preço, o dia e hora e local da entrega.
No local e hora combinada, o vendedor e compradores finalizavam o negocio.
As calças vinham embrulhadas em jornal em pacotes fechados em frente ao teatro municipal entregues mediante a conferência do dinheiro. Os vendedores pediam discrição para não abrir o pacote na rua por causa dos fiscais.
Junto com o pacote entregavam um cartão de uma loja de roupas da galeria do rock, caso precisassem trocar por outro número.   
Com o pacote nas mãos a pessoa corria para alguma lanchonete para abrir e apreciar as calças.
Grande surpresa ao abrir e verificar que haviam sido enganadas e ali somente tinha pedaços de panos enrolados em jornal.
Desespero, pânico e impotência das pessoas ao cair a ficha de terem sido enganadas. De nada adiantava procurar ajuda ou a policia.

Sabedor da situação pelos jornais, diariamente namorava minha calça Lee na vitrine da Loja PRIBA.
Semana a semana fazia meu serviço só no aguardo de chegar a minha vez.  
Além do meio salário acabei ganhando a grana pra condução e também para o lanche.
Meu serviço estava a contento.
Meu sonho estava vivo e crescia a cada dia que se passava.

Aguardava com ansiedade a chegada do dia para receber meu 1º. pagamento.
Aproximava-se o dia 10.
Um dia antes, minha mãe me fez um pedido: Levar um dinheiro para o meu tio alegando que estava devendo a ele determinada quantia.
A seu pedido levei a quantia em um envelope com o dinheiro.

Ao entregar o envelope, meu tio abriu para ver do que se tratava e viu que era dinheiro e contou: eram CR$21,00. Pediu para que agradecesse a ela.

Afinal chegou o meu dia esperado.
Na hora do almoço sou chamado para assinar o meu pagamento.
Assino uma folha e recebo um envelope igualzinho ao do dia anterior e com as 21 notas de CR$ 1.00. Aquilo me soou estranho.

Mas estava mais interessado no meu sonho.
Fui à loja e experimentei a minha calça Lee. Seria preciso apenas fazer a barra.
Mandei embrulhar e cai no mundo.
O preço da calça havia sido de 20,00, praticamente todo o meu salário.
Mas eu estava feliz, radiante e subindo nas nuvens.

Cheguei em casa rindo a toa.
Quis contar logo a novidade, mas fui interrompido pela minha mãe que perguntava se havia recebido.
Disse que havia recebido e comprado uma calça e que não havia sobrado nadinha,

Era chorou sem parar.
Tentei consolar. Mas não houve jeito.
Levei uma baita bronca por ter gastado todo dinheiro de um mês de trabalho que ela havia economizado...

Ai caiu a minha ficha. A grana que havia levado um dia antes era o mesmo que eu recebera.
De repente caiu a ficha de tudo.

Estava trabalhando e minha mãe é quem estava  bancando o meu salário. Achava aquilo um absurdo.
Não conseguia entender o raciocínio usado por minha mãe.
Logo que meu pai chegou e se interou do acontecido, acabou ficando possesso com tal procedimento, pois desconhecia o acordo feito pela minha mãe.
(imagem da net)
Meu pais era estabelecidos e tinha vários empregados. A situação andava critica, mas pagava  todos os funcionários em dia.
Me pais afirmou que jamais tinha ouvido falar de alguém que pagasse para trabalhar.

Final da história: Fiquei com minha calça Lee.
                        No outro dia comecei a trabalhar com meu pai recebendo um pouco mais do que no outro emprego.  


Por muito tempo esse relato era assunto recorrente nas reuniões de final de ano em família

Luigy 09/02/2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Hair - Deixa o sol entrar - 34

Deixa o sol entrar!

Houve um tempo que subir e descer a Augusta fazia parte de minha rotina. Desta vez no ano de 1971.
Matriculado no cursinho MED, saia do trabalho na 24 de maio, subia a Augusta em direção a Lanchonete Crazy Cat ao encontro da turma que parecia morar ali.

No Crazy acabamos criando uma turminha de possíveis futuros compositores: Tinha o Paulo, o Beto, Trans, a Rose, o Robson e eu.

Ao invés das aulas no cursinho, a maioria se mandava pra lá na tentativa de se aplicar em cantar, beber e compor.
Músicas, letras e jingles saiam todos os dias.

Todo dia tinha cantoria.
De vez em quando saiamos pelas ruas para cantar em botecos, festas e despedidas. A turma se animava tanto que ao final alem dos aplausos alguém passava o chapéu para recolher grana pra cerveja.
Todo mundo fazia parte da turma.
                            
Esmê. (Esmeralda de Souza)
Quando a conheci, era a garçonete mais bonita do crazy cat, morena jambo, magrinha de olhar meigo e muito simpática.

Esmê, era natural do Rio Grande do Norte e tinha como sonho de ser artista...
No dia de seu aniversario, praticamente fui “dado a ela como presente”.
Acabei sendo o namorado Esmeralda .

Nesta lanchonete aprendi a fazer musica (letras), aprendi a amar e a conhecer o lado out da cidade.
Ficamos juntos por uns 4 meses.

Nesse tempo ela acabou cavando um teste para o elenco de Hair.

E na surdina conseguiu fazer parte do elenco da segunda montagem de Hair 1971/1972. Depois fez parte do elenco teatral do Tem banana na banda contracenando com Zezé Mota e nunca mais parou.
Quando ainda estávamos juntos, um dia me convidou para assistir
a peça hair. Fui presenteado com um convite.
Não tinha a idéia exata de como seria a montagem.
A peça entusiasmava o público.


Em determinado momento da peça todos os atores tiravam suas roupas e ficavam nús em pêlo no palco...
Quase cai pra traz ao ver a minha namorada nuinha no palco com a turma toda.
A estréia dessa montagem se deu em 1972 no
antigo Teatro Aquarius, no bairro do Bixiga
Infelizmente perdemos o contato. 
Mas fica nossa lembrança e homenagem a essa grande amiga, Esmê.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Minha Primeira Fotografia -33

A primeira foto

Muito cedo fui contagiado pela sétima arte, assistindo uma sessão de cinema em uma pracinha no bairro onde morava.
O cinema nos leva às fantasias e aventuras.
A possibilidade de recriar momentos históricos de qualquer data, dando-lhe animação, frescor e dinamismo eram coisas incríveis que os filmes traziam para qualquer pessoa.
Fui tocado profundamente por esse tipo de arte.
(arquivo pessoal)
Mas cinema era algo meio distante em termos de aplicação principalmente para as classes mais humildes.

Mas quanto à fotografia, prima-irmã do cinema, já era mais fácil o seu manuseio em relação aos filmes.

Na época de meu nascimento em 1949, meu pai estava interessado na fotografia.
Aprendeu todo o processo da revelação em preto e branco. Suas fotos saiam de câmeras do tipo caixote que eram populares. Aproveitava o tempo ocioso em casa para revelar seus negativos, que depois de devidamente processados, poderiam gerar copias fotográficas.
Sei que ele se divertiu um bocado tirando fotos de seu filho recém nascido...


Próximo ao meu aniversário de 8 anos, ele já desfilava com uma Rolley-Flex que era muito bem guardada aos olhos de qualquer ser humano curioso.

As festas e aniversários eram sempre registradas.
As viagens também mereciam sua atenção.

Sempre que podia, ficava de olho no modo como ele manejava sua câmera.
Estava a espreita para saber como tudo se iniciava.
Em forma de capítulos fui fazendo o meu aprendizado sem que ele percebesse.
O difícil era saber o esconderijo onde ela guardava.

Quem espera sempre alcança... Tarda mas não falha.
Enfim o dia chegou.
(foto da net)
Na noite anterior meu pai chegara de viagem do Rio Grande do Sul em companhia de minha mãe onde foram comemorar  25 anos de casamento. Foram e voltaram de carro com duração de 25 dias. Voltara cansado da viagem.

Meu pai tinha como costume mato-grossense tirar uma pestana após o almoço. E no caso era sempre na sala com a TV ligada.


Ao passar pelo quintal percebi que sua câmera estava dando sopa em cima da penteadeira de minha mãe.
Fui sondar quais eram as condições.
Meu pai tirava sua pestana com grande roncos que se escutava de longe.

Com cuidado atravessei a sala em direção ao quarto dele.
Já dentro dei de cara com aquele tesouro.
Fui conferir se ele ainda dormia e vi que estava tudo calmo.

Sem demora me pus a mexer em tudo, apertando todos os botões que havia.
Olhei e mexi em tudo
Consegui armá-la para dar o clic, mas com a excitação  não conseguia fazer o foco correto ficando tudo embaçado.

Estava em frente ao espelho da penteadeira manuseando sem querer apertei o botão de disparo e deu-se um clic.

Assustado, deixe tudo ali e pulei a janela do quarto e me mandei.
Passaram-se dias e acabei por esquecer do assunto.

Nesse mesmo dia meu trouxe para casa o envelope contendo as fotos de sua viagem. Eram mais de 4 rolos de filmes.

Meus pais se deliciaram vendo as fotos e recordando pessoas e lugares por onde passaram.

Depois de algum tempo, ouvi meu pai chamar pelo meu nome.
Ao me aproximar, ele logo perguntou se eu havia encostado o dedo na sua maquina.
Claro que eu disse que não.
Ele então me mostra uma foto toda embaçada tirada diante do espelho com um cara pequeninho atrás da câmera clicando.
Putz essa não dava para mentir e nem escapar.

Acabei indo pro castigo com um puxão de orelha, coisa clássica da época.

Ao invés de me afastar das fotografias, isso acabou me aproximando mais ainda.
Minha madrinha de batismo, de profissão médica, viajava pelo mundo todo sempre tirando suas fotos. Ao saber de minha aventura, trouxe de presente uma maquina tipo caixão da Agfa 6x9. Teve toda paciência do mundo para me ensinar a tirar boas fotos. Graças a ela fui iniciado nessa arte.

Anos depois, ela me deu um livro de bolso que ensinava como revelar fotos em casa de maneira simples.
Em menos de um ano eu havia construído um aparelho em madeira ( caixote de laranja) devidamente modificado para fazer copias do negativo diretamente ao papel. Neste aparelho colocam-se dois tipos de lâmpadas para sensibilizar o papel pelo negativo.
Depois desse processo levava o papel para banho no revelador, depois no fixador e por ultimo em água corrente. Punha-se pra secar e estava pronto.

Jamais esqueci a emoção ao ver pela primeira vez, no quarto escuro aquele papel branco, mas sensibilizado, de repente do nada aparecer uma imagem. No primeiro momento a imagem era fraca e sem brilho. Aos poucos ela tomava sua forma final e aquilo que fora capturado em momento único, aparecia com força, eternizando aquele instante. Era mágico.
Minha mente ficava querendo entender muito rapidamente como tudo tinha acontecido.
Este momento ficou marcado com todos os cheiros e odores de acido acético em minha lembranças visuais e olfativas.

Ainda hoje não conseguir realizar minha rota em direção ao cinema. Mas estamos tentando reviver a sensação do primeiro filme visto.
  

A primeira foto que tirei em frente ao espelho, ficou guardada até 2005, quando a levei para uma exposição de Pinhole ou foto de lata na Escola Alves Cruz e acabou se perdendo.

11/12/2011
Luigy