quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Aos 60 anos se forma Advogado - parte II 36

Parte II


Recém criada depois do término da 2a. Guerra Mundial, a Base Aérea de Cumbica estava em expansão pela crescente demanda da aviação.
Concluida a reforma da base, foi aberta concorrência para a pintura dos hangares e prédios administrativos. Acabou participando da mesma e acabou ganhando a empreitada. Isso acabou por trazer maior visibilidade e impulso nos negócios.
(base aerea de cumbica foto de net)



Anos mais tarde se aventurou no ramo de pneus e mecanica de carros. Depois de algum tempo exibia uma pequena rede de filiais: nas avenidas Sto Amaro, av. João Dias,av.Interlagos e av Nossa Senhora do Sabará.
Mesmo com toda suas atividades jamais perdeu o hábito de tirar uma pestana ou siesta depois do almoço.
Morou muitos anos na Avenida Santo Amaro fazendo ali muita amizades, mas teve que se mudar após sucessivas enchentes sempre no carnaval. Depois da setima enchente e ter passado pelos quatro pontos cardeais da cidade, mudou-se para Santo Amaro onde comprou uma casa e se fixou em Interlagos.


Sua saída da avenida Santo Amaro foi motivado por inumeras enchentes pontuais em cada carnaval. A cada fevereiro diversas familias perdiam seus bens a cada enchente.


Mesmo se dedicando aos seus afazeres profissionais sempre arrumava tempo para fazer politica em prol do bairro onde morava. Graças a esse trabalho voluntário acabou sendo convidado a presidir várias Sociedades de Amigos de Bairros como Capela do Socorro, Jardim Primavera e Jardim Rio Bonito.por algumas gestões.  
Buscava sempre benificiamentos para o bairro como asfaltamento de ruas, postos de saude para o bairro, linhas de onibus, escolas e creches.
Tudo isso como trabalho voluntário.
Porém o cargo que mais lhe trouxe orgulho, foi ter sido eleito Conselheiro do SCCP por duas gestões e acabou ganhando titulo de socio Mosqueteiro e Vitalício.
Não se preocupava em trazer beneficios para si.
Outra grande alegria foi quando o nome de seu pai Chirsto Naum Marques foi dado a uma rua no bairro. 
   
Gostava de criar suas próprias saidas e mecanismos de defesa.
Quando algum "tipo de problema sem solução" insistia em se persistir, em sua siesta diária usava a imaginação reproduzindo algum jogo do Corinthians em que dava de goleada no "Parmeira".
Isso trazia uma alivio imediato e calma para os enfrentamentos da vida.  


Passado algum tempo depois do contato com pais de alunos da SAGVOA - Associação de pais e amigos dos Ginásios Vocacional (Brooklin), sentiu-se incentivado a retonar aos estudos. O velho sonho estava de volta.
Dez anos após esse contato, ja ostentava o diploma do colegial via curso supletivo.


Em 1976 passou no vestibular de Direito das Faculdades Franciscanas.
Ao final de 4 anos de estudos e estágios se graduou como Bacharel em Direito junto com seu filho.
Para finalizar o curso, havia uma parte integrante a realização de um grande juri simulado com todos os detalhes de um juri verdadeiro. Ele se candidatou para atuar como advogado de defesa do réu. Não acabou por absorver o acusado, como conseguiu a anulação do processo. Após uma atuação brilhante, foi aplaudido de pé por todo auditório em numero de 200 ouvintes. 

Durante esse processo de formação jurídica, foi convidado para ser adminsitrador de um hospital particular de doentes mentais, alcoolatras e drogados. Acabou chefiando um quadro de mais de 100 pessoas entre funcionários, enfermeiros, técnicos e médicos e 400 pacientes.
Morava anexo ao hospital para poder estar presente, em casos de necessidades, durante 24 horas. .       
Entre 1977 e 1978 ganhou um casl de netos, Dulce e Cristian, que lhe trouxeram grande alegria de vida.
Sua dedicação ao trabalho ultrapassava sua rotina. Estava sempre atento e a disposição para solucionar problemas do cotidiano e ultra muros.
Problemas de pacientes, funcionarios e medicos eram todos de sua alçada. Para todos eles sempre havia uma solução pacífica.   


   
Ao fazer parte do hospital, ele adotou uma politica humanitaria e humanistica ao tratar cada um como um ser humano único e não como um número.
Recebeu o hospital onde era servido apenas 3 refeições bem controladas ao dia. Pouco tempo depois introduziu mais duas, totalizando para 5 ao longo do dia, com direito a repetição.
Pacientes até então bem magros e esqueléticos, vinham a até ele para mostrar que estavam vem nutridos e contentes com o que estavam consumindo. Tudo isso foi conseguido ao mesmo tempo em que diminuiram as despesas e aumento de lucro da instituição.
Sua maneira especial ao tratar cada um de modo particular cativava a todos. Mantinha em sua memória um dossie de cada paciente e tambem dos funcionários. Rapidamente ele trazia a mente particularidade de cada um conforme a necessidade que se apresentava.        Isso era motivo de admiração das pessoas.


Quanto mais se aprofundava nos estudos mais era sua vontade de colocar em prática seus estudos juridicos.


Esteve por 15 anos a frente do Hospital João Evangelista como administrador com dedicação integral.
Se aposentou aos 70 anos  retornando a sua moradia em Interlagos.


Sentindo-se útil ainda, retornou para trabalhar desta vez como assessor administrativo, indo e vindo ao hospital todos os dias num percuros de mais de 90 kms. Desta vez como trabalho voluntário.
Trabalhou até 1987 ao completar 75 anos. Só parou motivado por um acidente de transito por causa de problemas na vista. 
Em 1990 foi operado no quadril por problema que lhe acompanhava desde os tempos de jogador de futebol por jogar além da conta e sem descanso.
Apesar do risco da idade, a operação foi tranquila, porem o resultado prático ficou aquém do esperado. Sumiram as dores, mas ficou a restrição de seu caminhar para grandes distancias.
Nesse mesmo ano,  ganhou mais uma netinha, Marta. Essa novidade acabou trazendo uma nova alegria de vida. Pois ambos eram bastante ligados.
Pode acompanhar o crescimento de sua netinho por vários anos.


Um problema sério de esofagite na noite de 29 de setembro de 2000, levou-o embora.


Seu velório foi no cemitério de Santo Amaro.
Mesmo sendo sampaulino, seu irmão mais novo, Nilton, cobriu seu corpo com a bandeira do SCCP- Timão antes de fechar o caixão.     


O carro funebre, saiu de Santo Amaro, na Zona Sul atravessando a cidade em direção ao Cemitério Do Jardim Tremembé na Zona Norte. O cortejo percorreu mais de 45 kms no transito paulista em dia de semana. 


Um dos momentos mais significativos do trajeto se deu ao passar em frente ao Hospital João Evangelista na Avenida Nova Cantareira. No momento que o cortejo passou em frente da Instituição, funcionários sairam a rua para dar o seu adeus. E nas janelas dezenas de pacientes lalançavam lenços brancos numa despedida final.

Ficou uma forte lembrança que é sermpre relembrada cada vez que o Timão faz um gol, parece que continuamos a ouvir seu grito Gooooooooooooooooooollllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll


Deixou apenas um filho (único)  .  

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Primeiro Emprego -35

A grana andava meio curta.
Por volta dos 14 anos, parece que a coisa andava pesada em casa.

Sutilmente me foi sugerido que arranjasse um emprego.
(imagem da net)
A maior porta de entrada dos meninos para o mercado trabalho nos anos 60, era iniciar como office-boy.
Não fiz muita força, mas alguém em minha casa fez essa força por mim.
Minha mãe me deu um endereço no centro da cidade para visitar meu tio que tinha um escritório à Rua Jose Bonifacio (centro).
Munido de força alguma força, fui até lá pra ver no que ia dar.

Sai cedo. Chegando ao local fui recebido pelo meu tio (irmão de minha mãe).
Explicou como era o serviço e quais seriam as minhas funções.
Era um escritório de contabilidade com vários clientes.
Foi explicado que na parte interna, o serviço seria colar faturas de duplicatas banhadas em gelatina nos livros contábeis de cada firma. E na parte externa deveria ir a bancos pagar contas, levar documentos nas empresas que eram clientes, cartórios e coisas do tipo.
Aceitei na hora e já me pus a trabalhar.


(fotos da net)
Aprendi rápido o serviço colar faturas no livro caixa: cópias carbonadas de duplicatas e pagamentos eram colocadas em ordem no diário coberto com um pano branco.
Na hora do almoço, todos saiam, mas eu ficava para dar cobertura no atendimento telefônico.
Quando todos chegavam, era minha hora de almoço, trazido de casa.
Ao abri-la vinha aquele cheiro de ovo frito na cara.

Na semana seguinte, deixei de levar a “dita”
Depois de fazer a minha hora do almoço, saia para cobrir os bancos, cartórios e fazer alguns recebimentos.
Assim que terminava tudo, poderia ir direto pra casa, trazendo no dia seguinte os comprovantes dos serviços agendados.

Esse serviço de rua acaba levando a descobertas e troca de informações entre os boys, de coisas que muita gente desconhece.

Toda vez que eu saia às ruas, ficava namorando as roupas da PRIBA, uma loja de roupas masculinas que se mantém ativas até hoje.
Ficava um tempão admirando camisas, calças, cintos e outras coisas.

Era moda na época, ter uma calça LEE (que era importada). O preço ficava próximo de 18,00. (o preço da calça era em dolares) 

Muita gente desejava comprá-la, mas eram raríssimos os locais onde vendiam essa calça. Entre alguns eram a Priba e a Galeria Pagé.

O salário mínimo naquele momento era de CR$ 42,00. E eu iria ganhar CR$ 21,00 por mês

A paixão pela calça despertava a imaginação de muita gente.
Chegou a sair nos jornais da época de que pessoas desavisadas a procura de obter vantagem, terem ido a uma lojinha da galeria do rock em busca da calça Lee.
As pessoas eram paradas nas ruas se estariam interessadas em comprar a tal calça com bom abatimento.
Claro que as pessoas se interessavam.
Diziam que estavam vendendo 6 calças Lee pelo preço de duas, perto de CR$ 30,00 
Era combinado o preço, o dia e hora e local da entrega.
No local e hora combinada, o vendedor e compradores finalizavam o negocio.
As calças vinham embrulhadas em jornal em pacotes fechados em frente ao teatro municipal entregues mediante a conferência do dinheiro. Os vendedores pediam discrição para não abrir o pacote na rua por causa dos fiscais.
Junto com o pacote entregavam um cartão de uma loja de roupas da galeria do rock, caso precisassem trocar por outro número.   
Com o pacote nas mãos a pessoa corria para alguma lanchonete para abrir e apreciar as calças.
Grande surpresa ao abrir e verificar que haviam sido enganadas e ali somente tinha pedaços de panos enrolados em jornal.
Desespero, pânico e impotência das pessoas ao cair a ficha de terem sido enganadas. De nada adiantava procurar ajuda ou a policia.

Sabedor da situação pelos jornais, diariamente namorava minha calça Lee na vitrine da Loja PRIBA.
Semana a semana fazia meu serviço só no aguardo de chegar a minha vez.  
Além do meio salário acabei ganhando a grana pra condução e também para o lanche.
Meu serviço estava a contento.
Meu sonho estava vivo e crescia a cada dia que se passava.

Aguardava com ansiedade a chegada do dia para receber meu 1º. pagamento.
Aproximava-se o dia 10.
Um dia antes, minha mãe me fez um pedido: Levar um dinheiro para o meu tio alegando que estava devendo a ele determinada quantia.
A seu pedido levei a quantia em um envelope com o dinheiro.

Ao entregar o envelope, meu tio abriu para ver do que se tratava e viu que era dinheiro e contou: eram CR$21,00. Pediu para que agradecesse a ela.

Afinal chegou o meu dia esperado.
Na hora do almoço sou chamado para assinar o meu pagamento.
Assino uma folha e recebo um envelope igualzinho ao do dia anterior e com as 21 notas de CR$ 1.00. Aquilo me soou estranho.

Mas estava mais interessado no meu sonho.
Fui à loja e experimentei a minha calça Lee. Seria preciso apenas fazer a barra.
Mandei embrulhar e cai no mundo.
O preço da calça havia sido de 20,00, praticamente todo o meu salário.
Mas eu estava feliz, radiante e subindo nas nuvens.

Cheguei em casa rindo a toa.
Quis contar logo a novidade, mas fui interrompido pela minha mãe que perguntava se havia recebido.
Disse que havia recebido e comprado uma calça e que não havia sobrado nadinha,

Era chorou sem parar.
Tentei consolar. Mas não houve jeito.
Levei uma baita bronca por ter gastado todo dinheiro de um mês de trabalho que ela havia economizado...

Ai caiu a minha ficha. A grana que havia levado um dia antes era o mesmo que eu recebera.
De repente caiu a ficha de tudo.

Estava trabalhando e minha mãe é quem estava  bancando o meu salário. Achava aquilo um absurdo.
Não conseguia entender o raciocínio usado por minha mãe.
Logo que meu pai chegou e se interou do acontecido, acabou ficando possesso com tal procedimento, pois desconhecia o acordo feito pela minha mãe.
(imagem da net)
Meu pais era estabelecidos e tinha vários empregados. A situação andava critica, mas pagava  todos os funcionários em dia.
Me pais afirmou que jamais tinha ouvido falar de alguém que pagasse para trabalhar.

Final da história: Fiquei com minha calça Lee.
                        No outro dia comecei a trabalhar com meu pai recebendo um pouco mais do que no outro emprego.  


Por muito tempo esse relato era assunto recorrente nas reuniões de final de ano em família

Luigy 09/02/2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Hair - Deixa o sol entrar - 34

Deixa o sol entrar!

Houve um tempo que subir e descer a Augusta fazia parte de minha rotina. Desta vez no ano de 1971.
Matriculado no cursinho MED, saia do trabalho na 24 de maio, subia a Augusta em direção a Lanchonete Crazy Cat ao encontro da turma que parecia morar ali.

No Crazy acabamos criando uma turminha de possíveis futuros compositores: Tinha o Paulo, o Beto, Trans, a Rose, o Robson e eu.

Ao invés das aulas no cursinho, a maioria se mandava pra lá na tentativa de se aplicar em cantar, beber e compor.
Músicas, letras e jingles saiam todos os dias.

Todo dia tinha cantoria.
De vez em quando saiamos pelas ruas para cantar em botecos, festas e despedidas. A turma se animava tanto que ao final alem dos aplausos alguém passava o chapéu para recolher grana pra cerveja.
Todo mundo fazia parte da turma.
                            
Esmê. (Esmeralda de Souza)
Quando a conheci, era a garçonete mais bonita do crazy cat, morena jambo, magrinha de olhar meigo e muito simpática.

Esmê, era natural do Rio Grande do Norte e tinha como sonho de ser artista...
No dia de seu aniversario, praticamente fui “dado a ela como presente”.
Acabei sendo o namorado Esmeralda .

Nesta lanchonete aprendi a fazer musica (letras), aprendi a amar e a conhecer o lado out da cidade.
Ficamos juntos por uns 4 meses.

Nesse tempo ela acabou cavando um teste para o elenco de Hair.

E na surdina conseguiu fazer parte do elenco da segunda montagem de Hair 1971/1972. Depois fez parte do elenco teatral do Tem banana na banda contracenando com Zezé Mota e nunca mais parou.
Quando ainda estávamos juntos, um dia me convidou para assistir
a peça hair. Fui presenteado com um convite.
Não tinha a idéia exata de como seria a montagem.
A peça entusiasmava o público.


Em determinado momento da peça todos os atores tiravam suas roupas e ficavam nús em pêlo no palco...
Quase cai pra traz ao ver a minha namorada nuinha no palco com a turma toda.
A estréia dessa montagem se deu em 1972 no
antigo Teatro Aquarius, no bairro do Bixiga
Infelizmente perdemos o contato. 
Mas fica nossa lembrança e homenagem a essa grande amiga, Esmê.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Minha Primeira Fotografia -33

A primeira foto

Muito cedo fui contagiado pela sétima arte, assistindo uma sessão de cinema em uma pracinha no bairro onde morava.
O cinema nos leva às fantasias e aventuras.
A possibilidade de recriar momentos históricos de qualquer data, dando-lhe animação, frescor e dinamismo eram coisas incríveis que os filmes traziam para qualquer pessoa.
Fui tocado profundamente por esse tipo de arte.
(arquivo pessoal)
Mas cinema era algo meio distante em termos de aplicação principalmente para as classes mais humildes.

Mas quanto à fotografia, prima-irmã do cinema, já era mais fácil o seu manuseio em relação aos filmes.

Na época de meu nascimento em 1949, meu pai estava interessado na fotografia.
Aprendeu todo o processo da revelação em preto e branco. Suas fotos saiam de câmeras do tipo caixote que eram populares. Aproveitava o tempo ocioso em casa para revelar seus negativos, que depois de devidamente processados, poderiam gerar copias fotográficas.
Sei que ele se divertiu um bocado tirando fotos de seu filho recém nascido...


Próximo ao meu aniversário de 8 anos, ele já desfilava com uma Rolley-Flex que era muito bem guardada aos olhos de qualquer ser humano curioso.

As festas e aniversários eram sempre registradas.
As viagens também mereciam sua atenção.

Sempre que podia, ficava de olho no modo como ele manejava sua câmera.
Estava a espreita para saber como tudo se iniciava.
Em forma de capítulos fui fazendo o meu aprendizado sem que ele percebesse.
O difícil era saber o esconderijo onde ela guardava.

Quem espera sempre alcança... Tarda mas não falha.
Enfim o dia chegou.
(foto da net)
Na noite anterior meu pai chegara de viagem do Rio Grande do Sul em companhia de minha mãe onde foram comemorar  25 anos de casamento. Foram e voltaram de carro com duração de 25 dias. Voltara cansado da viagem.

Meu pai tinha como costume mato-grossense tirar uma pestana após o almoço. E no caso era sempre na sala com a TV ligada.


Ao passar pelo quintal percebi que sua câmera estava dando sopa em cima da penteadeira de minha mãe.
Fui sondar quais eram as condições.
Meu pai tirava sua pestana com grande roncos que se escutava de longe.

Com cuidado atravessei a sala em direção ao quarto dele.
Já dentro dei de cara com aquele tesouro.
Fui conferir se ele ainda dormia e vi que estava tudo calmo.

Sem demora me pus a mexer em tudo, apertando todos os botões que havia.
Olhei e mexi em tudo
Consegui armá-la para dar o clic, mas com a excitação  não conseguia fazer o foco correto ficando tudo embaçado.

Estava em frente ao espelho da penteadeira manuseando sem querer apertei o botão de disparo e deu-se um clic.

Assustado, deixe tudo ali e pulei a janela do quarto e me mandei.
Passaram-se dias e acabei por esquecer do assunto.

Nesse mesmo dia meu trouxe para casa o envelope contendo as fotos de sua viagem. Eram mais de 4 rolos de filmes.

Meus pais se deliciaram vendo as fotos e recordando pessoas e lugares por onde passaram.

Depois de algum tempo, ouvi meu pai chamar pelo meu nome.
Ao me aproximar, ele logo perguntou se eu havia encostado o dedo na sua maquina.
Claro que eu disse que não.
Ele então me mostra uma foto toda embaçada tirada diante do espelho com um cara pequeninho atrás da câmera clicando.
Putz essa não dava para mentir e nem escapar.

Acabei indo pro castigo com um puxão de orelha, coisa clássica da época.

Ao invés de me afastar das fotografias, isso acabou me aproximando mais ainda.
Minha madrinha de batismo, de profissão médica, viajava pelo mundo todo sempre tirando suas fotos. Ao saber de minha aventura, trouxe de presente uma maquina tipo caixão da Agfa 6x9. Teve toda paciência do mundo para me ensinar a tirar boas fotos. Graças a ela fui iniciado nessa arte.

Anos depois, ela me deu um livro de bolso que ensinava como revelar fotos em casa de maneira simples.
Em menos de um ano eu havia construído um aparelho em madeira ( caixote de laranja) devidamente modificado para fazer copias do negativo diretamente ao papel. Neste aparelho colocam-se dois tipos de lâmpadas para sensibilizar o papel pelo negativo.
Depois desse processo levava o papel para banho no revelador, depois no fixador e por ultimo em água corrente. Punha-se pra secar e estava pronto.

Jamais esqueci a emoção ao ver pela primeira vez, no quarto escuro aquele papel branco, mas sensibilizado, de repente do nada aparecer uma imagem. No primeiro momento a imagem era fraca e sem brilho. Aos poucos ela tomava sua forma final e aquilo que fora capturado em momento único, aparecia com força, eternizando aquele instante. Era mágico.
Minha mente ficava querendo entender muito rapidamente como tudo tinha acontecido.
Este momento ficou marcado com todos os cheiros e odores de acido acético em minha lembranças visuais e olfativas.

Ainda hoje não conseguir realizar minha rota em direção ao cinema. Mas estamos tentando reviver a sensação do primeiro filme visto.
  

A primeira foto que tirei em frente ao espelho, ficou guardada até 2005, quando a levei para uma exposição de Pinhole ou foto de lata na Escola Alves Cruz e acabou se perdendo.

11/12/2011
Luigy

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Meus Embalos de Sábado a Noite -32

Fim da Infância.

Com o passar do tempo, fui deixando de lado alguns tipos de brincadeiras infantis... e passando para outras muito mais interessantes e agradáveis.
Desde de cedo senti um forte apelo pelo sexo oposto.
Ao entrar na adolescência ia ganhando experiência e bagagem no trato com as meninas. Trocando informações aqui e ali com os mais velhos iamos  perdendo aquele medo inicial da aproximação e adquirindo coragem para uma abordagem de resultados. 


Corria o ano de 1964...
Era o tempo do IE-IE-IE, dos Beatles, dos discos da HI-FI, dos cabelos longos, das calças justas, das paqueras, dos amassos nos cinemas e nos bailes.

Aos sábados, era sagrado ir a um baile, não importava onde e como. Sempre com as melhores roupas, a turma se preparava para encarar os bailinhos e conhecer novas garotas.
Passávamos a semana na expectativa para saber onde seriam os bailes.
Não me lembro de qualquer sábado que não houvesse lugar pra onde ir.


Cabelos longos, topetes, perfumes, cigarro escondido e grana.
Moradores na zona sul, esse era nossa área de combate, poucas vezes nos aventurávamos ir para outros bairros.
(foto encontrada na net)
Íamos em bando, para garantia de nossa segurança. Dificilmente arrumávamos brigas. Nosso interesse eram meninas e não se atracar com marmanjos.
As bebidas servidas nas festinhas eram as Cubas Libres (coca cola gelada com rum) e os Hi-Fi (crush gelado com vodka) ou ponche.

Dependendo da ocasião, o traje poderia ser terno e gravata ou esporte chique.
Mas geralmente o "uniforme" era calça Lee e camisa esporte (xadrez, listrada ou camisa pólo de jacarezinho ou lacoste)

Quando a vitrola atacava com “La Mer" ou alguma música italiana, iniciava-se uma corrida para tirar alguma garota e tentar dançar colado.       

Uma troca de olhar mais insistente, era o convite.

Dançar juntinho, mas sem dar pinta, era o melhor da festa, até poder arriscar quem sabe, algum beijo no rosto.

Se tudo corresse bem, o caminho parecia aberto para novos beijos no escurinho.
O interesse era sempre formar um par.

Quando alguém se amarrava de verdade, a turma se sentia meio que traída, pois isso poderia afetar os bailes futuros.

Foi no aniversário de Lia Mara, que morava ao lado do Clube Banespa no Brooklin que isso realmente aconteceu. Ao felicitá-la pelo seu dia recebi um aperto de mão extremamente forte. Guardei para mim aquele sinal.

Assim que as iniciaram as músicas lentas fui em sua direção.
Dançamos uma seleção de três canções, bem juntinhos. Coração batia a mil... e sem coragem para arriscar um beijinho o rosto apesar de ter dançando coladinho. 
(foto do bailinho da turma de 63 do vocacional arq. www gvive.org )

Ao finalizar a dança ela continuou segurando minha mão e convidando para tomarmos uma cuba libre.
Minhas pernas tremiam e as mãos suavam sem parar.
De mãos dadas fomos buscar as bebidas. 

Chegando a cozinha, sua mãe coordenava o serviço de bebidas como forma de controle. Acabei sendo apresentado a ela.
Somente depois tomar umas e outras foi que a tremedeira diminui.

Dançamos várias vezes nessa noite até que eu pudesse arriscar um beijo certeiro. Ela correspondeu. Outros beijos se seguiram. 

Ela estudava no Beatíssima Virgem Maria e eu no Vocacional Oswaldo Aranha. 
Uma vez por semana ia buscá-la na saída de sua escola levando até um quarteirão próximo de sua casa. Encontrávamos aos domingos na porta do cinema.

Durou cerca de 3 meses.
Foi muito boa a aprendizagem.
Depois perdemos o contato

Luigy
02/02/2012    

Um dia fui compositor -31

Um dia fui compositor...

Estava me preparando para o primeiro vestibular da vida.
Durante o dia trabalhava no Banco Real, agência Rua 24 de Maio. No período noturno pretendia fazer o cursinho do MED, na Rua Augusta.
Fiz minha matricula em abril de 1971.
Devido ao cansaço, no final de maio, já freqüentava pouquíssimas aulas após um dia de trabalho.

Acabei descobrindo um bar-lanchonete chamado Crazy Cat, no mesmo quarteirão do cursinho, logo depois da Rua Caio Prado.
Passei a freqüentá-lo ao invés de assistir as aulas.

Recém desfeito de um relacionamento juvenil, passava as noites na lanchonete, também freqüentado pelos alunos do MED nos intervalos.

Ai sair do trabalho e seguia a pé pela Rua Augusta para curtir minha solidão nas mesas do Crazy Cat onde fazia meu lanche regado a coca cola e escrevendo minhas poesias.
A cada dia novos desabafos saiam da minha cabeça, mas nada que valesse a pena contar, a não ser que eram doloridas.

Pouco a pouco a lanchonete foi sendo invadida por alunos que cabulavam aulas como eu. No fundo, se reunia um pessoal que passava horas fazendo um som com violão.

(foto arquivo gvive)
Acabei conhecendo uma garota de nacionalidade grega, chamada Poli.
Ela era uma pessoa com baixa auto-estima, se colocando como vitima e reclamando da vida. Mas eu escrevia e mostrava a ela.
Eu escrevia e mostrava a ela. E ela fazia o mesmo
Era uma troca-troca literária.

Por ser muito entrona, conhecia todo mundo e também fazia parte da turma do violão.

O pessoal do fundão passava boa parte do tempo compondo música em grupo na tentativa de colocar alguma delas nos festivais da Record e o Universitário da Tupi. O tema era música de protesto como era o estilo da época. E eu ficava no meu canto curtindo minha fossa rabiscando no papel.
Certa vez o pessoal atacava no violão na tentativa de elaborar mais uma música...estava no meu canto rabiscando, quando minha amiga Poli veio ver o eu fazia. A seu pedido, mostrei a ela o que escrevia.

Ela pegou a folha rascunhada e levou para ao grupo.
Em menos de um minuto, juntaram o conteudo do papel com a melodia e se puseram a cantar.
Distante dali, tomei um susto ao perceber meus versos naquela música.

Letra e musica se encaixaram perfeitamente naquela canção de protesto.
Sem querer querendo nasceu uma melodia que levou o nome Sem assunto

Terra Amada
Terra querida
Um dia quero vê-la crescida

Terra amada
Terra sofrida
Ainda vive esperando ser livre

Outrora fomos
Um belo quintal ( Portugal)
Passamos de vila a capital ( Império )
E a independência não terminou
Pois o gigante já despertou

O povo unido e decidido
De fraco passou a forte
E olhou para a bandeira
Jurou até a morte
Esperando pela sorte
Pedindo ao Senhor
Paz e Amor

Coro uouuuuuuuuuuuuo


Fizemos mais de 15 canções e alguns jingles nasceram da parceria Paulo Roberto Santiago (Sant.’s) e Luiz Carlos Marques(Luigy) ou ainda Sant’/Louis no período de 71 e 72.

Luigy 02/02/2012

O Mais Longo Dos Dias -30

O Mais longo dos dias (passados dentro de um cinema)

Houve um momento em minha vida que cinema era mais sagrado do que missa.

Aos 14 anos de idade já estava em processo de rompimento com a igreja pela falta de respostas às minhas perguntas ou a não divulgação das verdades.

Depois de estudar em colégio de padres e pela obrigatoriedade de assistir a missa todos os domingos, acabei achando tudo meio sufocante

Sempre tive um lado espiritual muito forte dentro de mim, mas que esbarrava nos dogmas e ter que engolir a tudo de modo obrigatório.

Freqüentava então as missas da paróquia de São Dimas na Vila Nova Conceição. Mas o que era imperdoável eram os comentários jocosos sobre as roupas repetidas e risinhos de algumas pessoas todos os domingos.
Tal comportamento acabou por me levar a romper com essa rotina.

Estudei na Escola Meninópolis (Brooklin) e no Colégio São Alberto (perto do Paraíso). Tentando buscar respostas acabei por encontrar novos caminhos... 

Morando no bairro de Vila Nova Conceição, éramos bem servidos no quesito de cinemas.
Eram em torno de cinco salas de exibições ao largo da mesma avenida:  Cine Graúna-1960(Chaplin), Cine Guarujá (Excelcior), Cine Bruni Vila Nova-1966 (Cinelandia II), Cine Vila Rica-1963 (Del Rey) e Cine Radar. No Brooklim havia ainda o Cine Meninópolis e na Joaquim Floriano, o Cine Iguatemi.    
Entrando na adolescência, não perdia uma só mantinê. Com tal variedade de salas, as vezes dava até pra escolher.

Nessa época, os meninos andavam à caça nas matines especificamente para arrumar alguma namorada. Tentar era parte do jogo. Os resultados nem sempre satisfatórios.


No escurinho do cinema todos os gatos são pardos, então a ordem era atacar, enrolar ou puxar conversa mole e aproveitando para oferecer Dropes Dulcora ou Mentex para suavizar qualquer hálito. Se o papo colasse, era meio caminho andado. Quanto mais vivencia, melhor era o aprendizado. A ordem era arriscar sob pena de ficar sozinho.
(Fotos blogue cinelandia)
Com os hormônios fervendo éramos levados avante quase que sem perceber
Era a época da aproximação em relação as garotas e vive versa.

Garotas e garotos, tinham seus medos e receios, mas também tinham vontades e desejos. Era a energia parecido com um imã.
Iniciada a sessão, o escuro dentro do cinema pouco dava pra perceber algum tipo de beleza. O que valia mesmo era a paquera. Uma gracinha bem colocada poderia render o céu é o infinito. Uma palavra mal colocada colocava tudo em risco.

Hoje sabemos que o bom humor é a chave na paquera.
Aceito a gracinha, era o sinal verde quase que imperceptível para seguir adiante...

Perguntas sobre o nome, onde moravam e estudavam, se estava gostando do filme ajudavam a pavimentar a conversa. Ficávamos a espreita de algum pequeno sorriso, que hoje sabemos que poderia de incentivo ou nervosismo.
Mas ali nada disso era sabido

Depois de alguma conversa, passava-se a segunda etapa, que era tentar aproximação das mãos.
A procura pelo contato das mãos, calor delas acabavam por misturar as ansiedades.
As tentativas eram muitas. Os resultados eram menores.

Mas quando davam certo, corações quase pulavam de corpo de cada um.
Apertar a mão de uma garota até então desconhecida era empolgante, gerava energia de calor, satisfação e de bem estar.
Nas primeiras vezes, dava vontade de querer parar o tempo e assim permanecer para sempre.
Amigos mais experientes já usavam a técnica de posicionar o braço por cima da cadeira e do ombro da menina.
Mas esse era um passo ainda futuro.

Passávamos o filme inteiro a esperar uma cena de amor para tentar algo mais arriscado, um beijo no rosto ou nos lábios...

Para aquele domingo escolhemos o Cine Excelcior, o filme não ajudava muito, passava   Os Dez Mandamentos com 4 horas de exibição, era cansativo mas dava mais tempo para se fazer diversas tentativas...

A sessão começou às 14 horas e terminaria às 18.
Após muitas tentativas que ocuparam quase 4 horas com poucos resultados, resolvemos ficar para tentar para a sessão seguinte.
Fracasso total, pois o público já era outro.
Ao invés de ir embora ficamos indo pra cá e pra lá sem ter certeza do que fazer.

A lotação do cinema eram de 600 lugares. Éramos em 4 amigos.
Depois de muito perambular fomos novamente ao banheiro para fumar escondido.

Saindo do banheiro vimos algo no chão. Era uma carteira que aparentava estar bem gordinha.
A intenção era gritar, mas abafamos nossos gritos após abri-la.
Encontramos uma carteira com quase Cr$ 400,oo. A entrada para o cinema custava Cr$ 10,00.

Ao ver tanto dinheiro assim ficamos excitadíssimos.
Resolvermos ficar sentados na segunda fileira para observar se haveria procura.
Ali permanecemos por mais uma sessão de quatros horas.

Aguardamos calados, mas irriquietos, durante todo esse tempo.
Fomos os últimos sair da sessão ao final dessa sessão que terminou às 22 horas.

Na rua dividimos em quatro partes a grana e fomos para o Chico Hambúrguer na Galeria Bruni. Hambuguers, milkshakes, bananas splits... Comemos até não poder mais...
Depois compramos cigarros e soltamos fumaças até cansar e ainda sobrou muito dinheiro que ficou para a outra semana...

Mais tarde, disfarçadamente, deixamos a carteira vazia, mas com todos os documentos na caixa do correio do cinema.
Sim, foi errado. Politicamente incorreto. Éramos jovens, imprudente e imaturos, mas foi divertido.
Com o tempo a gente amadurece e toma prumo.
Luigy 15/01/2012   

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os Caras Mudaram o Mundo -29


Calor forte marcando 30 graus castigava quem estava nas ruas do centro da capital paulistana naquele verão de 1964.

Subia a Avenida São João, a procura de filmes para minha idade ( 14 anos).
Parei em frente do Cine Art Palácio esperando encontrar algum que fosse bem interessante. Estava cartaz uma comédia muito louca com o nome de: Deu a louca no mundo.

Entretido nas fotos do cartaz, meus ouvidos captaram uma insistente melodia próximo dali. Parecia ser um som diferente, inédito e contagiante. Minha atenção acabou se voltando para aquele som desconhecido trazido nas asas do vento.
A cada tentativa para apurar o que seria tudo aquilo, minha curiosidade era aguçada na tentativa de elucidar aquele ritmo.
Acabei perdendo o interesse nas fotos e me deixei levar para onde vinha aquele som eletrizante.
Ao me aproximar fui percebendo que aquilo era Rock, mas com uma nova pegada cantada por algum novo grupo.

Fui sendo carregado pelo ritmo e aquilo ia encantando meus ouvidos.
Fascinado parei bem em frente a Galeria do Rock.
Era dali que vinha o som.
Eram duas lojas de discos uma em frente a outra, disputando quem tocava mais alto. Essa disputa acabou atraindo uma multidão de jovens e pessoas curiosas (típica cena paulistana) ( foto da net)

 

Depois de ouvir mais de cinco vezes a mesma música numa das lojas e outras cinco na loja concorrente, me enchi de coragem para perguntar quem eram aqueles caras e o nome da música. Enquanto uma loja tocava insistentemente a música do lado A, sua concorrente replicava somente o lado B do disco. Ambas, lado A e lado B eletrizavam quem as escutasse.
O vendedor prontamente respondeu as minhas perguntas: A música se chama
I Want to hold your hand ( eu quero pegar sua mão ) e quem estavam cantando eram os Beatles.
(foto da net)
E se pôs a dar a ficha inteira dos caras:
“Os caras são um grupo de cabeludos de Liverpool, que acabam de estourar no EUA com os dois lados do disco, coisa até então inédita”. O lado B leva o título She Love you (ela te ama) que a loja concorrente tocava. Um clima de animação ia se formando com a chegada de mais curiosos mesmo após reproduzir pela vigésima vez as mesmas canções. Hoje alguém poderia dizer que talvez fosse coisa do capeta.

Neste momento de minha vida despertava o interesse pelo rock, baladas e músicas lentas (para dançar agarradinho). Porém desconhecia completamente os Beatles.
Aqui do lado debaixo do equador, as noticias demoravam muito a chegar. Qualquer tipo de notícia ou informação demoravam para ser divulgado pela mídia e ao público em geral.
Minha coleção de discos de então eram frutos de heranças, passadas por meu tio (geração dos anos 50 amarradão no Elvis)

Fiz as contas mentalmente e fui ao caixa para comprar meu primeiro Compact Disc. Acabei por esquecer qual fora minha missão de ter ido ao centro da cidade.

Rapidamente retornei pela Av. São João dando uma paradinha na pastelaria que ficava na esquina com a Rua Formosa e ali comer meu pastel favorito, que era de banana, junto com caldo de cana. Enquanto comia fiquei a observar o corre-corre das pessoas que passavam pelo Vale do Anhangabaú.

No trajeto de ônibus voltando para casa “viajei” sonhando ser um dos cabeludos de Liverpool... cheio de garotas ao redor...

Apesar de nunca terem vindo ao Brasil me tornei fã do grupo.
Ouvir as músicas até furar o disco eram as únicas opções.  
A noticia da estréia do filme Help ao Brasil, trouxe uma enorme satisfação aos jovens interessados.

Como não poderia deixar de ser, estive presente na sessão de estréia no Cine Astor no Conjunto Nacional, na primeira sessão. Centenas de jovens com cabelos compridos e roupas parecidas tentavam imitar os cabeludos John, Paul, George e Ringo. A cada música na tela, era seguida pela platéia que cantava junto e batendo os pés no chão aumentando ainda mais o barulho.

Os queridos cabeludos parece que não se esforçaram muito para conhecer o terceiro mundo. Algo desconhecido para eles.

Adoramos enorme produção musical que o grupo deu ao mundo em forma de canções, letras, filmes, desenhos e clips. Mas ficou a mágoa de nao terem vindo por aqui.
Paul tentou desfazer um pouco essa mácula vindo ao Brasil por duas vezes.
Porém nada poderia se comparar se as apresenções tivessem sido com o grupo todo 
Acredito que o Brasil todo iria adora, menos a Luiza que estaria no Canada

Luigy
28/01/2012